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Archive for the ‘Cretáceo’ Category

Postado por: Felipe Pinheiro

O Estado do Ceará, já há algum tempo, vem sendo alvo de intensas pesquisas paleontológicas, o que se deve, principalmente, à Bacia do Araripe, inigualável depósito de fósseis do período Cretáceo, reconhecido globalmente tanto pela quantidade quanto pela qualidade de seu material fossilífero.

Talvez a excepcionalidade da Bacia do Araripe tenha contribuído para que algumas pequenas bacias sedimentares (Iguatu, Lima Campos, Icó e Malhada Vermelha), também cretáceas, localizadas na região centro-leste do Estado do Ceará, sejam alvo de pesquisas mais esporádicas. Tais bacias preservam, em suas rochas, um importante, e ainda pouco explorado, registro de vida cretácica.

Fragmento de teto e caixa craniana da S. jaguaribensis

Fragmento de teto e caixa craniana de S. jaguaribensis

No fim de 2005, uma expedição geológica realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou estudos de cunho estratigráfico nesta região. Em seus estudos, os pesquisadores registraram diversos afloramentos com ocorrência de fósseis e coletaram alguns espécimes. Um dos fósseis coletados, um pequeno fragmento craniano à primeira vista sem graça, foi identificado como pertencente a uma nova espécie de crocodilomorfo, descrita no último volume da revista Palaeontology e batizada de Susisuchus jaguaribensis (Fortier & Schultz, 2009). Os responsáveis pela descrição do novo animal foram os paleontólogos Daniel Costa Fortier e Cesar Leandro Schultz.

O novo crocodilomorfo se assemelha bastante com Susisuchus anatoceps, descrito para  a bacia sedimentar do Araripe, também no Ceará. S. anatoceps, e  S. jaguaribensis são os dois únicos animais conhecidos representantes da família Susisuchidae, que tem uma especial importância por representar, como é mostrado no artigo, o grupo-irmão de Eusuchia, clado a que pertencem todos os crocodilianos modernos. Assim, compõe uma parte importante do quebra-cabeça que revela as complexas afinidades filogenéticas dos crocodilomorfos.

S. jaguaribensis (A) e S. anatoceps, uma espécie intimamente relacionada (B)

S. jaguaribensis (A) e S. anatoceps, uma espécie intimamente relacionada (B)

Outro fato interessante é o de que o holótipo de S. jaguaribensis representa o mais antigo registro fóssil de crocodilomorfo do Brasil.

Esta nova descoberta é apenas uma pequena amostra do quanto as pequenas “bacias de Iguatu” são interessantes do ponto de vista paleontológico. A fauna nelas registradas são o testemunho de um importante evento: essas bacias foram formadas no momento em que as placas sul-americana e africana estavam em processo de separação.

Mais pesquisas e trabalhos de campo nestas bacias sedimentares estão sendo realizados e podemos esperar que as bacias de Iguatu nos revelem agradáveis surpresas em um futuro próximo!


Referências:

Fortier, D.C.; Schultz, C. L. 2009. A new neosuchian crocodylomorph (Crocodyliformes, Mesoeucrocodylia) from the early Cretaceous of birth-east Brazil. Palaeontology 52(5) pp. 991-1007.


O novo crocodilomorfo se assemelha bastante com Susisuchus anatoceps, descrito para  a bacia sedimentar do Araripe, também no Ceará. S. anatoceps, e  S. jaguaribensis são os dois únicos animais conhecidos representantes da família Susisuchidae, que tem uma especial importância por representar, como é mostrado no artigo, o grupo-irmão de Eosuchia, clado a que pertencem todos os crocodilianos modernos. Assim, compõe uma parte importante do quebra-cabeça que revela as complexas afinidades filogenéticas dos crocodilomorfos.

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